Associação que apoia pacientes com câncer tem queda nas doações e luta para manter atendimentos em Uberlândia
Vanda faz acompanhamento na Acraac desde 2024 Juliana Leal/g1 “Foi como se o chão saísse debaixo dos meus pés”. Assim, Vanda Lourenço descreveu a sensa...

Vanda faz acompanhamento na Acraac desde 2024 Juliana Leal/g1 “Foi como se o chão saísse debaixo dos meus pés”. Assim, Vanda Lourenço descreveu a sensação que teve em janeiro de 2024, quando recebeu o resultado dos exames feitos para investigar a dor que sentia em uma das mamas. O diagnóstico confirmou o temor: câncer. Era o início de uma luta que ela ainda enfrenta. Três meses depois da descoberta, Vanda começou o tratamento no Hospital do Câncer, em Uberlândia. Passou por cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Atualmente, a ex-inspetora pedagógica ainda comparece semanalmente à instituição para acompanhamento médico, que monitora a remissão da doença. “A gente não é sozinho no mundo, a gente tem família e, para mim, isso prevalece. Então, eu decidi lutar. Não só por mim, mas por eles também. Fácil, eu insisto que não é. Mas, se a pessoa tiver um amparo, ela consegue enfrentar.” ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Esse amparo veio também de fora da família. Por indicação de uma amiga em tratamento, Vanda conheceu a Associação do Câncer de Uberlândia (Acraac). A entidade, localizada no Bairro Martins, oferece assistência e acompanhamento a pacientes oncológicos da cidade e da região. A Acraac tem cerca de 400 pacientes cadastrados. Entre idas e vindas de tratamento, em média 190 são atendidos diretamente. Incluindo os familiares, que também recebem acompanhamento indireto, esse número chega a 2 mil pessoas, vindas de Uberlândia e de outras 10 cidades vizinhas. Em quase 23 anos de funcionamento, a Associação mantém os serviços por meio de doações, em grande parte captadas pelo telemarketing. De acordo com o diretor Raimundo Medina, a queda de recursos tem dificultado a inclusão de novos pacientes. “Semana passada, a assistente social falou pra mim: ‘seu Raimundo, eu cadastrei mais dez pessoas’. Eu falei: ‘que bom’, porque vamos ajudar mais gente, mas também me pergunto: ‘como vamos ajudar mais dez pessoas?’. Eu vou aumentar as despesas, mas a receita não cresce na mesma proporção”, relatou. A Acraac oferece atendimento com médicos e psicóloga Juliana Leal/g1 Serviço pouco conhecido Antes da doença, Vanda desconhecia esse tipo de trabalho. As instituições do terceiro setor atuam em paralelo aos hospitais, oferecendo apoio estrutural, financeiro e psicológico a quem recebe o diagnóstico de câncer. Hoje, ela considera fundamental o tempo que passa na Acraac. “O que eu mais gosto é da roda de conversa com a psicóloga. Adoro vir na nutricionista, tem gente que não gosta, mas eu gosto de pegar umas dicas com ela. Tem o trabalho da assistente social, é maravilhoso. Eu gosto muito de conversar e aqui é um dos lugares que eu me sinto bem para isso, sabe?”. Para receber apoio da associação, o paciente deve apresentar documentos à assistência aocial, que avalia o perfil socioeconômico da família. Conforme a necessidade, a entidade oferece doações de cestas básicas, fraldas, suplementos alimentares e medicamentos que não são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como analgésicos à base de morfina ou remédios para tratar comorbidades como diabetes e depressão. Também há acompanhamento jurídico para ações que buscam garantir medicamentos de alto custo. Além disso, os pacientes recebem acompanhamento de nutricionista, psicóloga, reumatologista e cardiologista, tanto na sede da instituição quanto em visitas domiciliares a acamados. Equipes de nutrição e assistência social também visitam cidades vizinhas com apoio das secretarias municipais de saúde. A Acraac ainda oferece práticas terapêuticas como Reiki e Yoga, além de atividades de canto, violão e crochê, que contribuem para a integração social e o bem-estar dos pacientes. LEIA TAMBÉM: Primeiro centro de reabilitação do antigo Hospital do Câncer de Barretos em Minas Gerais será construído em Uberlândia Hospitais de Uberlândia deverão ter alas separadas para mulheres que perderam bebês Desafios de manutenção Para manter os serviços, a associação realiza bazares e eventos beneficentes. Também recebe apoio de empresas, como supermercados que promovem campanhas de arrecadação de alimentos ou de repasse de troco solidário. As contribuições individuais ficam, em geral, em torno de R$ 12. Somadas, as doações resultam em aproximadamente R$ 120 mil por mês. “A gente está sempre correndo atrás de alguma coisa para não faltar recurso para o atendido. Tem mês que está bom, mas tem mês que a receita despenca, depende até da situação financeira do país. E as pessoas hoje estão muito desconfiadas. Qualquer situação que ocorre, já falam: ‘não vou ajudar vocês’. O que a gente faz é convidar as pessoas para virem visitar, porque não tem nada melhor do que ver com os próprios olhos e tirar as dúvidas”, disse o diretor. Diretor da Acraac afirma que mesmo com dificuldades, não há recusa de novos atendidos Juliana Leal/g1 A sede da Associação do Câncer fica na Rua Arthur Bernardes, nº 630. O espaço também se tornou um dos lugares mais frequentados por Vanda nos últimos anos. Mesmo em acompanhamento de remissão, ela garante que não pretende deixar de participar da Acraac. “É uma doença que abala o paciente e a família. Com esse acolhimento que a gente tem aqui, torna tudo um pouco mais leve essa jornada. Eu vou continuar como assistida ou voluntária, com certeza!”, finalizou. Associação do Câncer em Uberlândia Veja também: Hospital do Câncer de Uberlândia faz 25 anos Hospital do Câncer de Uberlândia faz 25 anos VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas